Reiki e Autocompaixão: ser por inteiro, mesmo nos dias difíceis
- Raquel Silva
- 24 de jun. de 2025
- 3 min de leitura
Se um amigo está a passar por um momento difícil, sentimo-nos naturalmente inclinadas e inclinados a escutá-lo com carinho, a oferecer apoio e a lembrar-lhe que não está sozinho. E, no entanto, quando somos nós a tropeçar, tantas vezes ouvimos dentro de nós uma voz dura, crítica ou impaciente. Porquê?
A verdade é que a maioria das pessoas foi educada para ser exigente consigo mesma, acreditando que apenas a crítica motiva, que apenas o esforço constante vale a pena, e que mostrar fragilidade é sinal de fraqueza. Mas a ciência psicológica e as tradições espirituais dizem-nos o contrário: a autocompaixão não nos enfraquece — fortalece-nos.
O que é a autocompaixão?
Segundo Kristin Neff, pioneira no estudo da autocompaixão, esta prática envolve tratar-se com a mesma gentileza e compreensão que ofereceria a um bom amigo. Implica reconhecer a dor, o erro ou a falha sem nos identificarmos com ela:
“Eu cometi um erro” é muito diferente de “Eu sou um erro”.
A autocompaixão parte da atenção plena: a capacidade de observar o que sentimos sem julgamento e com presença. Não se trata de ter pena de si, nem relativizar o sofrimento, mas acolhê-lo com humanidade. Todos e todas falhamos. Todos e todas sentimos medo. Todos e todas carregamos algo que não conseguimos mostrar ao mundo. Reconhecer isso em nós aproxima-nos dos outros, em vez de nos isolar.
Mitos comuns sobre a autocompaixão
Há quem pense que a autocompaixão nos torna pessoas preguiçosas, indulgentes ou menos motivadas. Mas estudos mostram que é precisamente o contrário: quando nos tratamos com carinho e encorajamento, tornamo-nos mais resilientes, mais capazes de lidar com o stress e mais motivadas para crescer.
Outro mito frequente é confundir autocompaixão com autocuidado. Embora estejam relacionados, são diferentes. Autocuidado é cuidar de si através de ações externas — como descansar, comer bem ou fazer uma massagem. Autocompaixão é um gesto interno: é a qualidade da relação que temos connosco quando a vida nos desafia.

Práticas de autocompaixão
1. Mude a linguagem interior.
Observe como fala consigo. Está a ser um aliado ou um inimigo? Se usaria palavras encorajadoras com um amigo, porque não consigo? Experimente frases como:
“Estou a fazer o melhor que posso.”
“É normal sentir isto, não estou sozinho/a.”
“Este momento é difícil, mas vai passar.”
2. Faça uma pausa de compaixão (RAIN):
Tara Brach, psicóloga e autora, sugere o método RAIN:
🌧️ R — Reconheça o que está a sentir
🌧️ A — Aceite a presença dessa emoção, sem resistir
🌧️ I — Investigue com curiosidade (onde sente isso no corpo? Que história conta a si mesmo/a?)
🌧️ N — Nutra: coloque a mão no coração, ofereça uma frase gentil, traga suavidade ao momento
3. Pratique o toque compassivo.
Coloque as mãos sobre o coração ou o abdómen e respire algumas vezes com consciência. Imagine que está a cuidar de si como cuidaria de uma criança ferida — com calor, presença e ternura.
4. Alargue a compaixão ao mundo.
Ser compassivo consigo permite-lhe também ser mais compassivo com os outros. Estabelecer limites, dizer não, defender causas com firmeza — tudo isto pode ser expressão da mesma energia compassiva. Às vezes, a autocompaixão manifesta-se como uma força protetora — a energia da mãe que cuida com amor e coragem.
Reiki como caminho de autocompaixão
Na prática do Reiki, encontramos um espaço sagrado para este reencontro interior. O simples ato de pousar as mãos sobre o próprio corpo, respirar e estar presente já é um gesto profundo de cuidado. O Reiki não exige esforço nem desempenho — convida à rendição. E é nesse silêncio amoroso que, muitas vezes, começamos a escutar a parte de nós que só queria ser aceite tal como é.
Autocompaixão não é um destino — é um caminho. Um caminho que podemos percorrer todos os dias, com pequenos gestos, com palavras mais suaves, com pausas que curam.
Bibliografia
Brach, T. (2003). Radical Acceptance: Embracing Your Life with the Heart of a Buddha. Bantam Books.
Brach, T (2013). True Refuge: Finding Peace and Freedom in Your Own Awakened Heart. Bantam Books.
Neff, K. (2011). Self-Compassion: The Proven Power of Being Kind to Yourself. Harper Collins Publishers.
Nota editorial
A revisão do texto contou com o apoio da ferramenta ChatGPT (OpenAI), utilizada como assistente na clarificação de ideias, revisão linguística e organização de conteúdos. As imagens foram geradas por inteligência artificial (Freepik.com) e editadas para fins ilustrativos.
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