top of page

Diferenciar Trauma de Feridas Emocionais

  • Foto do escritor: Raquel Silva
    Raquel Silva
  • 7 de nov. de 2025
  • 4 min de leitura

Quando a dor é uma mensagem e não uma sentença


Medir a profundidade da ferida é o primeiro ato de compaixão.

A palavra trauma tornou-se quase omnipresente nas conversas sobre saúde mental. Hoje, parece que todos, de uma forma ou de outra, se identificam com ela.

E, no entanto, nem toda a dor precisa desse nome.

Distinguir o que é uma ferida emocional do que é trauma não é um exercício técnico — é um ato de cuidado e de clareza.

Ajuda-nos a compreender o que realmente precisa de atenção profunda e o que precisa apenas de tempo, espaço e gentileza.


A Profundidade da Ferida

A psicóloga Ana Contreras, no livro How Deep Is the Wound? (2025), propõe um olhar compassivo sobre a profundidade do dano emocional e o que essa profundidade significa para a recuperação.

Segundo a autora, compreender o grau da ferida permite escolher melhor os caminhos de cuidado e evita transformar cada sofrimento em diagnóstico.


Arranhão, Fratura ou Cicatriz?

Tal como o corpo, também a alma tem o seu próprio modo de cicatrizar.

  • Algumas dores são como arranhões — ardem, mas passam;

  • outras são fraturas — exigem tempo, realinhamento e cuidado;

  • e há ainda as cicatrizes — marcas que já não doem, mas lembram-nos que algo aconteceu.


A dor emocional funciona de forma semelhante.

Quando o sistema nervoso é sobrecarregado, repetidamente acionado ou deixado sem reparação, o sofrimento comporta-se como uma fratura não tratada: exige outro tipo de atenção.

Nem toda a dor precisa de terapia intensiva, mas toda a dor merece ser reconhecida.


Da Reação Adaptativa à Ferida Persistente

O sistema emocional humano é projetado para ser adaptativo.

As emoções ajudam-nos a perceber riscos, mobilizar recursos e aprender com as experiências. Na maioria das vezes, processamos o acontecimento, integramos a lição e regressamos ao equilíbrio.


Mas quando o ciclo natural de reparação é interrompido — por exposição repetida, falta de apoio, contextos tóxicos ou vulnerabilidade acumulada — a reação deixa de ser apenas uma resposta: transforma-se num padrão.

O que era uma emoção torna-se um estado.

O que era uma memória transforma-se numa identidade ferida.


As emoções não são inimigas; são mensageiras. O sofrimento começa quando o mensageiro precisa de gritar para ser ouvido.

Quando a Ferida se Torna Trauma

A traumatização ocorre quando a dor é sentida como incontrolável ou insolúvel, e o sistema nervoso entra em modo de sobrevivência.

Vivemos com medo, o corpo mantém-se em alerta, a memória torna-se intrusiva, e as relações sofrem sob a sombra da desconfiança.


A ferida deixa de ser um evento — passa a ser uma estratégia inconsciente de sobrevivência.

É o corpo a tentar proteger-nos, mesmo quando já não há perigo real.


Feridas Relacionais: O Eco da Perda e da Traição

Nem toda a dor nasce de violência direta.

As feridas relacionais — desgosto amoroso, rejeição, crítica constante ou traição — atuam de forma subtil e profunda.

Elas não gritam; moldam.

Remodelam os nossos padrões emocionais, o nosso sentido de valor e as histórias que contamos a nós mesmos para manter a aparência de segurança.


Estas feridas criam uma arquitetura protetora: o ego age como zelador da casa, tapando fendas para que nada mais entre.

Mas ao fazê-lo, também impede a entrada da luz.

A cura começa quando reconhecemos estes mecanismos e aprendemos a observar o ego com curiosidade em vez de julgamento.


Feridas de Negligência: A Ausência que Dói

Outras feridas nascem não do que aconteceu, mas do que faltou.

A negligência e a invisibilidade produzem uma dor silenciosa: a da carência e do vazio.

Quando uma criança — ou um adulto — procura repetidamente ligação e encontra silêncio, o sistema aprende a escassez como norma.

Mais tarde, cada relação é filtrada pela crença de “não sou importante” ou “não posso precisar de ninguém”.


Aqui, a cura passa por reaprender a pedir e reconstruir o sentido de pertença, através de experiências seguras, pequenas, repetidas, que ensinem ao corpo que é possível ser visto e sentido sem medo.


Entre a Memória e a Liberdade: O que Significa Curar

A verdadeira cura não apaga o passado — integra-o.

A ferida deixa de comandar e passa apenas a contar a história de como sobrevivemos.

Cura é quando a memória deixa de doer, mas continua a ensinar.

Por isso, em vez de procurar “curar” a todo o custo, o primeiro passo é resolver:

dar significado ao que aconteceu, reduzir o controlo da dor sobre o presente e restaurar a autonomia.

A resolução é o ponto em que a ferida já não governa a vida — é apenas uma parte da nossa narrativa.


🌿 Em síntese

  • Nem toda a dor é trauma.

  • Medir a profundidade da ferida é um ato de sabedoria e compaixão.

  • A cura começa quando reconhecemos a dor sem nos fundirmos com ela.

  • Aceitar é diferente de desistir — é recuperar o poder de escolher como viver com o que aconteceu.


Bibliografia

Contreras, A. (2025). How Deep Is the Wound? A Guide to Investigating, Understanding, and Resolving Your Emotional Pain. Sentiment Publishing.


Nota editorial

A revisão do texto contou com o apoio da ferramenta ChatGPT (OpenAI), utilizada como assistente na clarificação de ideias, revisão linguística e organização de conteúdos.

 
 
 

Comentários


Entre em contacto

Tem alguma dúvida?

Quer agendar uma sessão ou saber mais sobre os nossos eventos?
Será um prazer conversar consigo e ajudar no que precisar.

Escreva-nos e receba resposta em breve.

  • Facebook
  • Instagram
Formulário de contacto:

Agradecemos o seu contacto!

Terapias complementares e holísticas

Jade Lavanda - O Cuidado pela Sabedoria

©2023 | Jade Lavanda

bottom of page