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Lua Cheia em Caranguejo: o silêncio entre o fim e o recomeço

  • Foto do escritor: Raquel Silva
    Raquel Silva
  • 3 de jan.
  • 5 min de leitura

Com a Lua Cheia em Caranguejo, emerge com mais força tudo o que fala de raiz, memória, segurança emocional e casa interna. Esta fase lunar ilumina precisamente o intervalo entre a decisão interna e a reorganização externa da vida.

Há momentos em que fazemos o corte certo.

Encerramos um contrato, uma função, um papel, uma pertença.

Não por impulso, mas por consciência.

E, ainda assim, a vida parece não acompanhar.


As oportunidades não surgem.

O passado insiste.

Pensamentos regressam como ondas - repetitivos, invasivos, por vezes carregados de sombra ou mesmo tóxicos.


Algo puxa-nos de volta, mesmo quando sabemos que já não é ali.


A Lua Cheia em Caranguejo ilumina precisamente este território: o intervalo entre a decisão interna e a reorganização externa da vida, entre o fim conhecido e o início que ainda não tem forma.

Caranguejo fala de vínculo, memória, pertença emocional e segurança.

Quando um contrato termina — profissional, relacional ou existencial — não é apenas uma situação que acaba. É uma estrutura interna de proteção que se dissolve.

​E o corpo, a psique e o sistema nervoso nem sempre acompanham a lucidez da consciência.


O que interpretamos mal

Nesta fase, é comum pensar:

  • “Talvez eu tenha errado.”

  • “Se fosse mesmo o caminho certo, já teria avançado.”

  • “Porque continuo presa/o a isto?”


Mas nem sempre o retorno do passado significa desejo.

Muitas vezes significa apenas inércia emocional.

O corpo procura o que é conhecido quando ainda não encontrou novo chão.

A mente tenta restaurar coerência regressando a narrativas antigas.

E o vazio entre ciclos torna-se terreno fértil para a ruminação.


Isto não é fracasso.

É tempo de digestão psíquica - um tempo em que a Lua Cheia torna visível o que já não serve, mas ainda não se despediu totalmente de nós.

A Lua Cheia não pede ação

A Lua Cheia em Caranguejo não pede decisões nem novos começos.

​Pede acolhimento do luto subtil:

  • luto pela identidade que terminou,

  • pelo papel que sustentava reconhecimento,

  • pela segurança que, mesmo imperfeita, era previsível.


Há cortes que não doem no momento da decisão.

Doem depois, quando o silêncio se instala. E esse silêncio não é vazio espiritual - é reorganização profunda, onde as emoções se intensificam para que possam ser integradas.

É precisamente neste impasse — entre o que terminou e o que ainda não começou — que a Lua Cheia nos ensina a arte da paciência emocional.​


Um convite simples para este período

Em vez de perguntar “porque é que ainda não avancei?”, experimenta perguntar:

  • “O que em mim ainda está a aprender a viver sem este vínculo?”

  • “Que parte minha precisa de segurança antes de seguir?”

Nem tudo o que nos puxa para trás quer ser retomado.

Algumas coisas apenas querem ser sentidas até ao fim.


A Lua em Caranguejo lembra-nos disto: não se nasce para o novo enquanto o corpo ainda não se sente em casa em si mesmo.

Às vezes, avançar é apenas não voltar —

e permanecer presente no intervalo,

ficando connosco com a mesma dedicação com que um dia segurámos o que agora estamos prontas e prontos para deixar ir.



Como atravessar o intervalo sem regressar ao que já terminou?

Há fases em que a pergunta certa não é “o que vem a seguir?”, mas “como permaneço inteira enquanto nada ainda chegou?”.


A travessia entre ciclos não se faz com força de vontade.

Faz-se com contenção, ritmo e limites suaves.


Aqui ficam práticas simples, mas profundas, para este tempo.


1. Não decidas no pico do vazio

Quando o intervalo aperta, surge a urgência:

  • de voltar atrás,

  • de contactar pessoas antigas,

  • de reabrir contratos encerrados,

  • ou de reinterpretar tudo para encontrar uma saída rápida.


👉 Regra de ouro: decisões tomadas para aliviar angústia raramente são decisões verdadeiras.

Se a vontade de regressar surge nos momentos de maior aperto emocional, não é um sinal — é um pedido de regulação.

Respira.

Adia.

Nenhuma decisão importante nasce do colapso.


2. Distingue vínculo residual de chamado real

Faz esta pergunta com honestidade corporal:

  • O que me puxa para trás traz expansão — ou apenas alívio temporário?


O chamado real vem com medo e vitalidade.

O vínculo residual vem com urgência e compressão.

O primeiro assusta, mas abre.

O segundo promete descanso, mas fecha.


3. Reduz o contacto mental com o passado (não só o externo)

Muitas pessoas cortam o contacto externo, mas mantêm:

  • diálogos internos constantes,

  • revisões mentais,

  • fantasias de correção,

  • ruminação silenciosa.

Isso mantém o sistema nervoso preso.


Prática concreta:

  • estabelece um tempo limite mental (ex.: “5 minutos por dia para pensar nisto”)

  • fora desse tempo, nomeia: “Isto é pensamento de transição”, e desloca a atenção para algo físico e presente.

Não é repressão — é higiene psíquica.


4. Cria micro-ancoragens no quotidiano

Enquanto o novo não ganha forma, o corpo precisa de ritmo previsível.

Não é altura de grandes projetos.

É altura de:

  • rotinas simples,

  • gestos repetidos,

  • tarefas concretas,

  • horários minimamente estáveis.


O corpo só avança quando sente chão.

Sem chão, a psique regressa ao conhecido.


5. Faz o luto da função, não apenas da relação

Muitas vezes não sentimos falta da situação em si, mas de:

  • quem éramos ali,

  • do lugar que ocupávamos,

  • do reconhecimento recebido,

  • da identidade associada.


Nomear isto muda tudo. Pergunta:

  • Que função este contrato me dava?

  • O que em mim ainda procura esse lugar?

Enquanto esta função não for simbolicamente encerrada, o psiquismo tentará recriar o cenário.


6. Aceita que esta fase é estreita, mas fértil

O intervalo é desconfortável porque:

  • não permite regressar,

  • mas ainda não oferece chegada.

É um tempo de gestação sem imagem.

Nada parece avançar porque a reorganização está a acontecer por dentro - ao nível da identidade, dos valores, da forma como te relacionas com o mundo.


Nem tudo o que é vivo cresce à vista.


(Experimenta esta prática meditativa - Habitar o Intervalo - disponível no nosso canal do Youtube)


7. Um gesto final para este ciclo lunar

À luz da Lua Cheia em Caranguejo, coloca a mão no peito ou no abdómen e diz, em silêncio:

“Não volto ao que já terminou.

Também não forço o que ainda não chegou.

Permaneço presente neste intervalo.”


Às vezes, isso é tudo o que é pedido.


Avançar nem sempre é dar o próximo passo.

Por vezes, é não regressar —

e aprender a habitar o tempo intermédio com dignidade.


Nota editorial

Esta publicação contou com o apoio de ferramentas de inteligência artificial na fase de pesquisa - ChatGPT (OpenAI) e revisão do texto - Perplexity.ai, utilizadas como assistente na clarificação de ideias, revisão linguística e organização de conteúdos.

 
 
 

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