Tarot terapêutico: quando a carta não prevê, mas revela
- Raquel Silva
- 15 de set. de 2025
- 3 min de leitura
Geralmente, quem procura o Tarot ou outros baralhos tem dois propósitos principais:
Leituras divinatórias: pessoas que desejam prever o futuro, acreditando num destino traçado.
Abordagem terapêutica: quem utiliza os baralhos como ferramenta de autoconhecimento e desenvolvimento pessoal.
Nesta segunda abordagem, o baralho funciona como uma ferramenta projetiva. Ele ajuda a tornar consciente o que está oculto: medos, expectativas, crenças, bloqueios. Ao fazê-lo, devolve-nos o poder de escolha e abre espaço para mudanças internas.
Assim, o baralho terapêutico cria um espaço de reflexão e criatividade. É um lugar onde exercitamos o livre arbítrio e cocriamos uma vida mais autêntica e alinhada com quem somos.
O que é o Tarot projetivo
O Tarot projetivo não se foca em adivinhar o futuro, mas em revelar o presente interno. Ajuda a aceder a desejos ocultos, padrões inconscientes, bloqueios e potenciais através da observação simbólica das cartas.
O valor simbólico das cartas
A psicologia de Carl Gustav Jung introduz o conceito de arquétipos: padrões universais partilhados por toda a humanidade, presentes no inconsciente coletivo. São moldes psíquicos que influenciam a forma como percebemos e vivemos o mundo.
Exemplos arquetípicos:
Nascimento: representa começos, novos ciclos, sair do conhecido para o desconhecido.
Morte: simboliza finais, transformações, abandono de velhas formas de ser.
Os arquétipos vivem tanto nos eventos concretos como nas experiências internas, moldando a nossa compreensão do mundo.
Como funciona o Tarot terapêutico
As imagens das cartas são arquétipos que funcionam como espelhos. Projetamos nelas os nossos pensamentos, emoções e experiências. Como no teste de Rorschach, cada pessoa vê algo diferente, revelando o seu mundo interno.
O significado da carta não está nela em si, mas na interação entre imagem e observador. Perguntas como "O que sentes ao ver esta imagem?", "O que ela te recorda?", ou "Que mensagem esta carta te traz agora?" permitem aceder ao inconsciente e estimular uma narrativa pessoal.
O Tarot como jornada terapêutica
O conjunto dos Arcanos Maiores pode ser visto como uma jornada simbólica do ser humano. Cada carta representa um estágio de desenvolvimento psíquico.
Baseado na psicologia de Jung, o Tarot terapêutico apoia-se em três pilares:
Arquétipos: experiências humanas universais codificadas nas cartas.
Inconsciente coletivo: onde estes arquétipos residem.
Sincronicidade: coincidências significativas. A carta certa surge no momento certo, sem explicação causal, mas com significado subjetivo.
O Tarot como espelho, não oráculo
Numa leitura terapêutica, o baralho não dita o futuro. Ele reflete o estado interno do consulente, ajudando a dar forma ao que já existe dentro de si.
Por exemplo: a carta da Torre pode ser vista como ruína ou como libertação. A interpretação depende do que o consulente está a viver. O foco está na percepção subjetiva e não na previsão objetiva.
O poder da projeção como ferramenta terapêutica
Ao projetar-se nas cartas, a pessoa:
Nomeia emoções: torna conscientes sentimentos difusos.
Identifica padrões: percebe ciclos e bloqueios internos.
Explora possibilidades: reconhece opções e potenciais caminhos.
Reescreve a sua narrativa: constrói uma história mais coerente e fortalecedora.
Mas a projeção só é terapêutica com suporte adequado:
Escuta ativa: acolher sem julgar.
Empatia: estar presente com compreensão.
Devolução responsável: ajudar o consulente a interpretar por si, sem impor significados.
Um exemplo prático: o Eremita
Se tirarmos a carta do Eremita, as perguntas poderão ser:
Que parte de mim precisa de silêncio ou recolhimento?
Que sabedoria interior posso aceder?
Que verdade estou a evitar escutar?
Este tipo de abordagem ativa a reflexão e incentiva a autonomia.
Conclusão: o Tarot não dá respostas prontas, mas perguntas poderosas
O Tarot projetivo não oferece soluções fechadas. Ele é uma ferramenta para introspeção, uma linguagem simbólica que ajuda a aceder ao inconsciente e a encontrar dentro de nós o que está por compreender.
Não é um destino, mas uma bússola. E isso, por si, já é profundamente transformador.
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Nesta oficina vivencial, vamos explorar o poder simbólico dos baralhos terapêuticos como instrumentos de escuta interior, autoexpressão e transformação. Através de dinâmicas criativas e reflexivas, vais aprender a usar as cartas como espelhos da alma — não para prever o futuro, mas para te escutares com mais profundidade e clareza. Um convite a dialogar contigo, com respeito, coragem e sensibilidade.
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Nota de Edição
A revisão do texto contou com o apoio da ferramenta ChatGPT (OpenAI), utilizada como assistente na clarificação de ideias, revisão linguística e organização de conteúdos. A apresentação interativa foi elaborada com recurso à plataforma Gamma. As imagens e cartas foram geradas com recurso a inteligência artificial e editadas para fins ilustrativos (Canva.com).


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