AMOR – O Coração que se Abre, Mesmo com Cicatrizes
- Raquel Silva
- 7 de dez. de 2025
- 3 min de leitura
Uma das pessoas que acompanho em consulta disse-me um dia: “Aprendi a sobreviver fechando o coração.”
E, ainda assim, continua a chegar a todas as consultas, com a vulnerabilidade nos olhos e a vontade de tentar de novo. Esse é o movimento do amor: não é perfeição afetiva, é a coragem de reaparecer com as cicatrizes à vista.

A segunda semana do Advento fala do amor como este gesto de abertura. Não o amor romântico idealizado, mas o amor que nasce da presença, da compaixão e da maturidade emocional — o amor que sabe olhar a própria sombra sem se punir por isso.
O amor que sustenta é como um rio: precisa de margens firmes. Sem limites, espalha-se e seca. Com limites, flui com força, direção e profundidade.
A Força do “Não” de Ana
Ana era a pessoa a quem todos recorriam. No trabalho, em casa, na família.
Sentia-se amada por ser necessária — mas estava exausta. O seu corpo vivia num estado de contração contínua. Dor nas costas, respiração curta, tensão permanente.
Ela confundia amor com autoabandono.
Falámos então sobre o Sistema de Vinculação: a forma como o nosso corpo e mente procuram segurança nas relações.
Explorámos como dizer “sim” a tudo é percebido pelo corpo como ameaça, não como amor. O sistema nervoso entende que, se nunca há espaço para ti, então não estás segura.
O desafio que Ana aceitou foi simples e radical: praticar o “Não, obrigada.”
No início, doeu. Sentia-se “má”, egoísta. Mas quando finalmente disse “não” a um pedido que a iria sobrecarregar, sentiu algo imediato: um alívio físico profundo, como se o corpo dissesse “finalmente.” A respiração aprofundou-se. O peito abriu.
Ela não amava menos a pessoa — estava a amar-se mais a si. E isso melhorou a relação.
Ana compreendeu que o amor que cura tem a coragem de desativar o impulso de salvamento. Não é desistir do outro — é não desistir de si.
O amor maduro começa quando o limite é o nosso ato mais generoso — connosco e com o outro.
O Amor como Prática
Luz do Amor
Nutre, une e cura - lembra-nos que não precisamos de caminhar e carregar sozinhos.
Humaniza a vida e aprofunda as relações.
Traz suavidade aos dias e sentido ao caminho.
Sombra do Amor
Amar sem limites leva à exaustão e à perda de si.
Confundir amor com salvamento ou com sacrifício constante.
Fechar o coração para evitar vulnerabilidade e chamar a isso “paz”.
Como Cultivar o Amor no Dia a Dia
Gentileza Consciente
Pequenos gestos de gentileza, sobretudo quando te sentes irritada/o ou tensa/o.
Autocompaixão Ativa
Exercitar a autocompaixão - deixar que o amor comece em ti.
Dica Reiki: coloca as mãos sobre o coração durante dois minutos - calor, presença, regulação.
Limites Amorosos
Limites são cuidado. São regulação inter-relacional. Permitem que continues presente sem te anulares.
Escuta e Pausa
O amor escuta antes de agir. Sempre que sentires o impulso de responder, faz a pausa sagrada de 3 segundos. Repara como a pausa muda o corpo - e muda a relação.
Liturgia Pessoal da Semana
Este é o teu kit de autorregulação e conexão segura.
Frase-Âncora:
“O meu coração pode abrir-se com amor e com limites firmes.”
Gesto Corporal Simples:
Coloca uma mão no peito (conexão) e outra no abdómen (enraizamento/limite). Inspira como se o ar chegasse às duas mãos. Ao expirar, imagina um círculo suave de calor a ligar as mãos. Sente que o teu amor inclui também o teu próprio bem-estar.
Micro-Prática de Journaling:
Onde tens confundido amor com autoabandono — e que limite amoroso precisas de honrar neste Advento?
Desafio da Semana – O Gesto da Verdade Consciente
Escolhe uma relação importante e oferece-lhe um micro-gesto de amor consciente:
um pedido de desculpa,
um agradecimento específico,
um “não” dito com gentileza,
ou uma escuta sem interrupções.
Depois observa como te sentes tu. Não o outro. O teu foco é a tua integridade - não a aprovação.
Pergunta Contemplativa
Que verdade sobre as tuas necessidades, se for dita com amor, pode fortalecer as tuas relações esta semana?
Nota editorial
A revisão do texto contou com o apoio das ferramentas Gemini, Perplexity e ChatGPT (OpenAI), utilizadas como assistente na clarificação de ideias, revisão linguística e organização de conteúdos. As imagens foram geradas com recurso a inteligência artificial (Freepick.com) e editadas para fins ilustrativos.



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